10 importantes lições aprendidas em 10 anos de carreira de TI (Parte 1)

No dia 1º de abril de 2023 - data conhecida popularmente como "dia da mentira", completei 10 anos de carreira como profissional de TI. Nesta mesma data, em 2013, o ainda jovem Leonardo, com seus 17 anos (e alguns fios de cabelo branco a menos), caminhava para sua primeira empreitada na área de tecnologia. Iria estagiar em uma startup, que naquele tempo era chamada só de empresa pequena mesmo e que continha em seu quadro de funcionários apenas duas pessoas - sendo eu a 3ª e também a primeira a estagiar na empresa.

De lá para cá, passei por diversas experiências positivas e negativas, e algumas lições importantes se tornaram imprescindíveis para meu crescimento. Esta é a 1ª parte de duas onde compartilharei importantes lições que aprendi durante os 10 anos de carreira em TI.

Nota: Este texto não irá contar a minha história pessoal (ainda bem), mas sim, falar de experiências e aprendizados vividos durante a minha jornada profissional. Se você quiser conhecer um pouco mais sobre mim, pode encontrar tudo aqui nas minhas redes sociais.

1. Pessoas - A base de tudo

Acho que é chover no molhado dizer que pessoas importam... Mas o jovem Léo demorou bastante tempo para entender. Consigo lembrar de muitos casos onde agi de forma errada, fui ríspido, até mesmo prepotente ou então só estava cansado e acabava descontando nos outros minhas frustrações e/ou problemas.

As pessoas são nosso bem mais precioso. Com elas evoluímos, aprendemos, ensinamos, compartilhamos e nos desenvolvemos. Saber ouví-las, dar feedbacks de maneira correta e, principalmente, tê-las como aliadas é fundamental para qualquer trajetória profissional e trabalho em equipe. Uma pessoa que gosta do seu trabalho pode te indicar numa empresa, já alguém que gosta da sua pessoa, será seu melhor marketing em qualquer lugar.

2. O primeiro passo é sempre o mais difícil

Ah o ínicio da jornada, o terror de qualquer um que queira desafiar o desconhecido, em qualquer área. Salvo se você tiver um bom QI (Quem Indica), dar os primeiros passos em qualquer jornada são os mais inseguros, ingratos, desgasgantes e testarão a todo momento sua capacidade de persistir.

Comigo não foi diferente. Comecei procurando estágio com programação aos 16 anos e a lista de "argumentos" que as empresas tinham para não me contratar eram tantas que nem caberiam em uma postagem. Mas para efeitos de comparação (e se você estiver passando por esta etapa agora pode fazer um bingo das justificativas). Seguem alguns exemplos:

  1. "Você ainda é muito novo, procuramos pessoas com mais maturidade";

  2. "Optamos por seguir com aqueles que estão fazendo faculdade";

  3. Achamos que você ainda não conhece o suficiente de programação para esta vaga;

  4. "Infelizmente você não passou no nosso teste" (aquele chato de lógica que não prova nada, mas ninguém cria um processo melhor, sabe?);

Justificativas, desculpas, desconfianças, uma pancada de currículos impressos e enviados e uma senhora síndrome do impostor sentada na sala de casa todos os dias me acompanharam até os 17 anos, quando, por algum motivo, alguém bondoso (ou louco) o bastante decidiu apostar no garoto.

Agarrei aquela oportunidade com as duas mãos, os dois pés, cravei as unhas e ainda mordi com todas as forças - até porque não sabia se teria uma nova oportunidade e quanto tempo levaria. Neste instante, cabe lembrarmos que o contexto daquela época é bem distante do que temos hoje, em que possuímos oportunidades home office e muitas empresas buscando por profissionais, e expandindo seus investimentos. Naquela ocasião, a gente tinha que escolher algo aqui pela região mesmo, havia bastante disputa nas vagas e as empresas geralmente queriam sempre "os melhores" (normalmente quem já possuía alguma experiência profissional comprovada).

O começo me assustava bastante, se você estiver se sentindo assim, o que posso dizer é: siga de cabeça erguida estudando, participando de processos, tentando cada vez mais aprender e evoluir. Dê um passo por vez, devagarinho, a consistência é a chave para a caminhada, a jornada profissional é uma maratona e não um tiro de 100 metros rasos. Planeje-se! E não esqueça quem é você.

3. Saber a hora de parar

Se você está no ramo de TI há mais de uma semana, já deve ter ouvido mais de dez frameworks, outras cem linguagens e mais mil bibliotecas, ferramentas, projetos open source para contribuir, conceitos para aprender, áreas para explorar, algoritmos para estudar...

Sim, é coisa pra caramba! E a gente se cobra muito, a todo tempo. Por que? Porque a todo momento está saindo coisa nova! A todo instante tem uma propaganda de uma escola falando: "hey, hey, hey, sente-se aqui no nosso foguete e venha decolar na programação!", "faça nosso curso e em 6 meses ganhe X mil reais". Porque agora tech é pop, ganha bem (?) e tem status (?)!

Somos bombardeados a todo instante com propagandas, postagens no Twitter, vídeos curtos com promessas que dão gatilho, falas de colegas, palestras ou até mesmo lendo um artigo ou vendo um vídeo no YouTube com conceitos que não conhecemos, mas que na mesma hora, ficamos muito empolgados para aprender ou então vem aquele gosto de sola de sapato na boca e a dona síndrome do impostor toca a campainha para entrar!

Em ambos os casos, tanto a empolgação exagerada quanto a retração excessiva, normalmente não é algo bom para nossas carreiras. Se por um lado, nos empolgamos com tudo, acabamos não focando em nada, do outro, se ficamos sempre desanimados olhando para a montanha infinita que não pára de aumentar a nossa frente, jamais teremos a coragem de dar um passo além.

Nesses momentos vejo como o início de minha carreira foi um mix de incertezas, lamentações e outros de caminhar por horas em círculos. E bem, acho que boa parte disso poderia ter se resolvido se eu tivesse me planejado melhor e também entendido que existe um processo de maturidade e é preciso respeitá-lo. Dar um tempo para a mente, fazer outras atividades, bem como ouvir e respeitar os limites do nosso corpo são importantes indicadores a serem monitorados. O jovem Léo não era muito bom nisso, tanto é que teve problemas no pulso, sofreu muito com ansiedade (foi até parar no hospital com crises). Hoje faz pilates, anda de bike, se alimenta de forma mais saudável e tem tempo até mesmo para se dedicar a sua bela namorada, família e amigos!

Se você for jovem (e aqui tanto faz se é de idade ou de espírito), não se deixe levar pelo discurso raso de que ficar programando/estudando por 12, 14, 16 horas por dia irá lhe ajudar. Dormir bem, estar bem física e psicologicamente irão lhe ajudar muito a focar nos seus objetivos. E não se esqueça também de desligar o celular e evitar distrações enquanto estiver estudando.

4. Comer um salgadinho por completo ou experimentar todos?

Existem pessoas que são muito decididas, experimentam pouca coisa e já tem bem claro o que querem para si. Já outras variam um pouco aqui, outro acolá, tornam a tentar este aqui e ficam nessa por um certo tempo. Quem nunca começou a aprender uma linguagem, como Java, e de repente se viu pensando: e se eu aprender JS? Ou quem sabe Go?

Essas dúvidas pairam na nossa cabeça, especialmente em momentos onde não está claro para onde queremos ir, onde o mercado está mais "aquecido" e onde haverá melhor sucesso.

Seja por dúvida ou por querer acompanhar muita coisa que ouvimos falar, entramos num dilema: aprofundar os conhecimentos naquilo que já sei ou partir para algo novo? A verdade é que não há uma resposta correta, mas o modelo de carreira em "T" tem se tornado cada vez mais popular. No caso deste método, o início é mercado pela parte superior, que compõe o traço (-), representando um momento mais generalista da carreira, onde dá-se oportunidade para descobrir o novo e experimentar o desconhecido.

Depois de algum tempo e tendo consciência do que se deseja, vem a etapa da barra (|). Neste momento são escolhidas algumas técnologias e áreas a serem aprofundadas e então é feito um direcionamento afim de se tornar uma referência no assunto.

Posso dizer que boa parte de minha carreira foi marcada por este método, ainda que de modo nada planejado! A parte mais legal de ter vivido diferentes experiências com diferentes contextos é que isso me agrega bastante atualmente, seja na hora de resolver um problema ou pensar em uma solução, uma vez que temos diferentes experiências como referência.

5. Às vezes é preciso trilhar um novo rumo

Meu objetivo com este texto não é tendenciar ninguém a fazer o que fiz, apenas trazer a reflexão. No entanto, é difícil falar desse assunto sem tirar o peso das escolhas que fiz. E por que estou falando disso? Porque em 2018, enquanto o Brasil sofria em mais uma copa do mundo, lá estava euzinho caminhando para o TCC da graduação. Depois de estudar um pouco sobre diversas áreas que me encantavam e faziam delirar todos os dias querendo aprender mais e mais, como: grafos, IOT, computação distribuída, processamento de imagens, IA/ML, computação gráfica... Comecei a perceber que passar a vida toda fazendo CRUDs me parecia ser algo muito limitante - tanto pelo fato de ter adorado os vários outros campos que conhecera, como já estava um pouco cansado do repetitivo trabalho.

Sei que alguns acharão arrogante falar isso, mas eu queria mais, e achava muito sem graça fazer vários estudos loucos na graduação (principalmente os de robótica), enquanto o trabalho era aquela coisa repetitiva e maçante de sempre.

Depois de fazer o TCC na área de processamento de imagens combinado com redes neurais, engatei uma pós em data science e tracei um novo rumo para minha carreira. Isso aconteceu em 2019, momento em que a área de dados ainda caminhava a pequenos passos, poucas empresas estavam estruturadas e muitas contratavam cientistas de dados "full stack" para resolver problemas que... Bem... Talvez nem elas sabiam que existiam.

Me joguei de cabeça e decidi que queria ir para essa área, não apenas por ver um futuro mais promissor, mas por ter outros desafios, coisas que testavam meus conhecimentos, limites e explorariam todos os dias as minhas habilidades de resolver problemas.

Depois de fazer a pós e caminhar para a área, descobri que na verdade, o que eu realmente queria não era ser cientista de dados, mas sim engenheiro de dados! Primeiro porque eu até gostava de estatística, mas eu DESCOBRI que amava arquitetura, infra e principalmente computação distribuída. Sim, a gente descobre que gosta de algo que tem curiosidade de aprender e fica empolgado a todo momento tentando resolver alguma coisa, daquelas que nem vemos o tempo passar.

O mais louco disso é que minha carreira sempre deu tais indícios, pois sempre gostei de banco de dados, SQL, adorava resolver problemas de performance ou que envolviam coisas distribuídas, curtia pra caramba quando tinha de elaborar uma arquitetura para um problema... Mas a ficha demora muuuuito até cair!